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Bárbara Arenhart "Babi" (Handebol)

05/07/2016
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babi_capa-interna_680Arte: Paula Sattamini

Por Fernando Hawad

“Ão, ão, ão, Babi é paredão!” Esse cântico embalou o título mundial da seleção feminina de handebol em 2013, na Sérvia. Considerada a melhor goleira daquele torneio, Bárbara Arenhart deu a chamada volta por cima. Um ano após ser cortada dos Jogos Olímpicos de Londres, a gaúcha de Novo Hamburgo se tornou um dos destaques da equipe brasileira que entrou para a história com uma conquista inédita.

Aos 29 anos, chegou a hora de Babi brilhar em uma edição de Jogos Olímpicos. Confiança e determinação não faltam. A goleira acredita que a seleção vai fazer uma grande campanha no Rio. Mas também torce para que a Olimpíada em casa traga mais visibilidade ao handebol no país.  

Esporte Essencial: Como foi o primeiro contato com a Arena do Futuro (vitória do Brasil sobre a Suíça em amistoso)? Deu para sentir o clima dos Jogos Olímpicos?

Bárbara Arenhart: Bastante! Acho que foi super importante para a gente ter jogado lá. Os nossos nervos ficaram muito visíveis, foi tudo muito diferente. Acho que deu para sentir como vai ser o clima na Olimpíada. Tinha só metade do público lá. Quando aquilo estiver lotado vai ser ainda melhor. 

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EE: Como é para você o fator casa? Uma motivação a mais ou uma pressão maior?

Babi: Nós estamos nos preparando muito para lidar com isso. Temos uma psicóloga e também estamos assistindo várias palestras a respeito disso. A gente está se preparando dentro da quadra e fora da quadra também para lidar com a pressão que a gente sabe que vai existir. Mas a pressão também pode ser um fator positivo para o nosso lado.

olhos_1_7_200EE: Qual o papel do Morten Soubak para a seleção ter atingido esse nível dos últimos anos? Sem ele, o Brasil jogaria com esse padrão?

Babi: A gente não tem como dizer que jogaria ou não, mas ele foi fundamental para a nossa mudança no estilo de jogo, no comportamento, na disciplina. Acho que ele é um cara que dá liberdade para a gente ser quem a gente é dentro do que ele programa para gente. Eu sou muito grata a ele. Ele mudou muita coisa dentro de nós. Trouxe uma ambição que não tínhamos antes. O Morten é totalmente responsável pelo crescimento que a gente teve.

EE: Interessante você falar que ele trouxe mais confiança porque a Duda também citou isso. Qual o segredo dele nesse aspecto?

Babi: Quando ele chegou em 2009, a seleção nunca tinha vencido nada além de Pan-Americano e Sul-Americano. Ele chegou dois anos antes do Mundial de 2011, na nossa casa, e disse: “Daqui a dois anos a gente vai ganhar uma medalha no Mundial.” Nós pensamos: “Meu Deus, esse cara está doido, a gente nunca ganhou nada.” Aí chegou o Mundial em São Paulo e nós ficamos em quinto. Ele foi mudando a nossa cabeça. Ele falava até o dia que a gente começou a acreditar. O Morten colocou, no trabalho dentro de quadra, muita realidade de jogos de alto nível. Então, a gente foi vivendo aquilo, pouco a pouco. Ele falava e a gente começou a comprar a ideia. Dois anos depois, em 2013, conseguimos o título mundial. Além disso, ele soube muito como lidar com a gente, porque lidar com tanta mulher assim não é fácil e ele aprendeu direitinho.

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EE: A medalha olímpica quase saiu em Londres 2012. Você não estava lá, mas grande parte do grupo atuou naquela Olimpíada. O que aquela experiência pode trazer de positivo para o Rio 2016?

Babi: Aquele momento foi muito doloroso. A gente costuma dizer que é na dor que a gente aprende mais. Depoisolhos_2_7_200 daquilo a nossa equipe amadureceu muito. Em 2011, no Mundial, a gente já tinha perdido nas quartas. Em 2012, na Olimpíada, novamente. No Mundial do ano passado, caímos nas oitavas de final. Cada jogo é um jogo, não dá para prever o que vai acontecer. Mas hoje a gente já sabe muito bem que o risco de estar ganhando um jogo por seis gols e perder por três existe. É preciso ter muita responsabilidade em cada ação. Aprendemos bastante, principalmente na parte emocional, a lidar com um momento ruim no jogo e não deixar a coisa desandar. 

EE: O fato de que a maioria do grupo da seleção joga na Europa há muitos anos é fundamental para a equipe ter o nível que tem hoje? 

Babi: Acho que sim. Não vou mentir, a gente aprendeu a lidar com o handebol de uma maneira profissional e a competir em alto nível porque a gente compete em alto nível o tempo inteiro na Europa. Nós somos tratadas como profissionais. Temos apoio. Há toda uma estrutura por trás que nos possibilita dar o nosso melhor a cada dia. E também lá na Europa a gente atua constantemente contra as melhores jogadoras do mundo.

olhos_3_7_200_01EE: A estrutura que vocês têm na seleção é muito boa. Mas, de uma maneira geral, a nível de organização, o handebol brasileiro não está evoluindo. A Liga Nacional conta com poucos clubes. Nem o título mundial conquistado por vocês em 2013 alavancou a modalidade. Você acha que uma medalha olímpica pode fazer com que o handebol brasileiro cresça em todos os sentidos? Ainda tem essa esperança?

Babi: Essa é a nossa maior esperança, que as próximas gerações tenham uma estrutura melhor. Agora foi inaugurado o Centro de Desenvolvimento do Handebol Brasileiro em São Bernardo, que é uma coisa super importante. Vejo que há muita gente praticando handebol no Brasil, até mesmo em clubes menores. O meu irmão, por exemplo, joga em um clube de uma cidade pequena, muito por amor. Acho que se o incentivo for um pouquinho maior, já vai fazer uma diferença enorme. A nossa esperança, realmente, é que essa Olimpíada em casa traga mais atenção para o handebol. 

EE: O que a gente pode copiar dos países europeus?

Babi: Na verdade, a gente não tem como implantar o amor pelo esporte em uma pessoa. Mas acho que as pessoasolhos_4_6_200 desconhecem o handebol. E por isso não gostam. Todo mundo que conhece, que acaba acompanhando um pouco, acaba gostando muito. Então, eu acho que esse é um fator que diferencia (a Europa do Brasil). Mas também tem a estrutura que é muito boa lá. A gente tem academia, quadra, piscina, o que for necessário, tudo ao alcance. Aqui no Brasil é muito difícil que o atleta tenha uma estrutura como essa. Falta mesmo estrutura física. E patrocínio também. Não vou nem falar disso porque é evidente.

EE: A derrota para a Romênia no Mundial do ano passado foi muito dolorida. Mas você não acha que pode ter sido, de certa forma, bom para diminuir um pouco a pressão em cima da seleção para os Jogos do Rio?

Babi: Faz um pouco de sentido isso, sim. Aquela derrota machucou mesmo. Foi muito doída. Mas, como eu falei antes, é na dor que a gente aprende. Então, acho que a gente voltou a ter o pé no chão. A gente queria tanto ganhar, que acabou esquecendo algumas coisas no caminho. Voltamos a ter o pé no chão olhos_5_5_200e a nossa qualidade hoje está muito melhor. Tenho certeza que a gente está muito melhor em relação ao Mundial e em todos os sentidos: fisicamente, taticamente, tecnicamente. Crescemos muito como equipe. Acho que foi importante (aquela derrota). Talvez, se a gente tivesse vencido no ano passado, a nossa tristeza maior poderia ser aqui (no Rio). E não é isso que a gente quer. 

EE: Deixe um recado para a torcida brasileira que vai acompanhar a seleção nos Jogos.

Babi: Gostaria de convidar todo mundo para assistir. Agradecer, desde já, o apoio que a gente tem. A torcida é o nosso oitavo jogador. A presença de todo mundo é muito importante. Mas, mesmo quem não estiver no ginásio, que possa mandar muita energia para a gente de onde estiver.

foto_3_690_01Babi exibe a histórica medalha de ouro conquistada no Campeonato Mundial de 2013, na Sérvia.

EE: Babi, o esporte é essencial?

Babi: O esporte é a minha vida. É o meu trabalho, a minha paixão, o meu tudo. É essencial para a minha vida porque me mostrou o mundo, do tamanho que ele é. É o esporte que me possibilita viajar, me possibilita conhecer pessoas, me possibilita trabalhar e fazer tudo que eu amo. Sou muito grata ao esporte.   

Fotos: Divulgação/Photo&Grafia


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