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Anne Sabatini (Técnica da Seleção de Base do Basquete)

26/08/2015
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Por Fernando Hawad

Ela chegou a ter uma breve carreira como jogadora, mas encontrou a realização profissional no trabalho de base. Anne Freitas Sabatini passa para as meninas que estão começando a jogar o amor que sente pelo basquete. Dedicada, supera os percalços que a modalidade tem enfrentado no país, como o fim do projeto de base da cidade de Americana, responsável por revelar várias jogadoras nos últimos anos.

Mas se a fase atual do basquete feminino brasileiro é difícil, Anne traz a esperança de um futuro melhor. Em junho deste ano, ela comandou a seleção sub-16 no vice-campeonato da Copa América da categoria, com direito a uma vitória histórica sobre a poderosa equipe dos Estados Unidos na semifinal. 

 

EE: Como você começou a ter contato com o basquete?

anne-sabatini-2_400AS: Sou de Piracicaba, interior de São Paulo. Aconteceu um projeto muito bom lá, patrocinado pela UNIMEP (Universidade Metodista de Piracicaba) e pelo BCN. Eu comecei a jogar basquete com 11 anos de idade e passei por todas as categorias de base através do projeto. Joguei só dois anos de adulto, ainda na região, e tive a oportunidade de trabalhar como técnica muito cedo, com 20 anos de idade. Já tinha dado aula em escolinha, mesmo enquanto jogava, mas como técnica mesmo eu comecei a trabalhar com 20 para 21 anos. Dirigia equipes masculinas no começo. Tive bons trabalhos. Fiquei cinco anos no Clube Cristóvão Colombo, em Piracicaba. Depois precisei optar entre o masculino e o feminino, em virtude dos horários. Naquele momento, acabei decidindo pelo feminino. Fui para Americana e fiquei 13 anos na Unimed/Americana. Decidi sair do projeto no final do ano passado, quando as coisas não iam bem. Infelizmente, o trabalho de base se encerrou na cidade. Ainda permaneço fazendo um trabalho na Prefeitura de Santa Bárbara D’Oeste, com o sub-15. Durante todo esse tempo eu também tive algumas oportunidades de servir às seleções paulistas de base e à seleção brasileira.

EE: Há algum técnico, ou técnica, que seja um grande exemplo para você?

AS: Eu tive muitos técnicos bons. Sou muito abençoada por isso. Tive a oportunidade de conviver com vários, como atleta ou assistente. Muitos fizeram parte da minha formação. Claro que não consigo reunir a qualidade de todos, mas algumas coisas pude aprender e trazer para mim. Se eu tivesse que citar um nome só, seria Maria Helena Cardoso. 

EE: E jogadora? 

AS: Por eu ter nascido em Piracicaba e ter visto muito de perto, fico com a Paula. Por ela ter jogado lá, cresci torcendo pelo time dela. Não que eu ache a Hortência pior, mas existe uma ligação maior com a Paula em virtude disso.

EE: Você chegou a jogar com ela no BCN?

AS: Não. Eu cheguei a frequentar a base, vira e mexe treinava no adulto, mas muito pouco. Mas a gente acaba tendo certo contato. Mesmo na seleção sub-16, eu escrevi para ela, ela escreveu para a Hortência, e ambas mandaram vídeos para o grupo. Foram situações muito positivas porque essa geração não as viu jogar. Como nós tínhamos um jogo decisivo para a vaga no Mundial contra Cuba, fiz uma sessão de cinema lá e nós assistimos à partida entre Brasil e Cuba em 1991, final do Pan-Americano de Havana. Foi bem legal para elas sentirem o quanto o jogo era eficiente e também bonito.

olho1_200_01EE: Não é muito comum ver mulheres treinando equipes masculinas no Brasil. Você chegou a sofrer algum tipo de preconceito quando dirigia times masculinos de base?

AS: Isso foi decisivo para eu me mudar integralmente para o basquete feminino. Por uns dois anos, trabalhei com feminino e masculino ao mesmo tempo. Não sei se o preconceito que sofri na época era em virtude de ser mulher, ou porque era muito nova. Mas existe, sim, um preconceito. Talvez isso fosse se resolver porque hoje vejo outras mulheres dirigindo times masculinos e sendo bem-sucedidas. Eu tive oportunidade de passar para o feminino e acabei optando por ir. Mas se tivesse que voltar a trabalhar com o masculino hoje, faria também. É diferente, mas também é muito legal.

 

O exemplo de Americana

 

EE: Quais os motivos que levaram ao fim um trabalho de base tão bem sucedido como o que era feito em Americana, inclusive revelando jogadoras que estão na seleção principal atualmente?

olho2_200_01AS: Por muitos anos chegamos a ser um dos maiores projetos do país, talvez o maior. É muito triste ver o projeto se encerrando. Não sei os detalhes minuciosos do que aconteceu, mas nós sofremos muito nos últimos anos com uma administração extremamente corrupta na Prefeitura de Americana. E o reflexo disso se espalhou por toda a cidade, incluindo a parte esportiva. Acredito que a ADCF/Unimed manteve a equipe adulta (atual bicampeã da Liga de Basquete Feminino) praticamente sozinha, na última temporada. A base não deu para continuar, principalmente por conta da Prefeitura. 

EE: O interior de São Paulo sempre foi o grande berço do basquete feminino brasileiro. Atualmente, como está a procura das meninas pelo basquete? Em Americana, por exemplo, há muitas garotas querendo jogar?

AS: É fantástico! Eu tive a oportunidade de ser coordenadora das escolinhas nos últimos cinco anos. Nós chegamos a ter mais de mil meninas fazendo aulas de basquete, em várias turmas espalhadas pela cidade. Por muitos anos nós tivemos uma parceria com a Secretaria da Educação. Então, as turmas aconteciam nos ginásios, mas também nós conseguíamos levar para as escolas municipais. Em Americana, existem dez escolas municipais, em regiões bem diferentes, e nós tínhamos muitas meninas. Na seleção brasileira adulta, que disputou a Copa América no Canadá, três meninas, a Débora, a Izabella Sangalli e a Izabela Nicoletti, não apenas passaram por lá, como são nascidas em Americana. Esse é o sentido ímpar do projeto. Já existiram projetos muito bons, porém, em boa parte deles, a menina vinha de algum lugar e dava continuidade, o que é muito interessante também. Mas você conseguir dar um retorno para a própria cidade, acho que é espetacular.

olho3_200_01EE: Débora e Izabella Sangalli, por exemplo, tiveram toda a formação na cidade e hoje jogam em outras equipes adultas. Você acha que a equipe adulta de Americana poderia fazer um proveito melhor das jogadoras formadas na cidade?

AS: Depende do técnico do time adulto. Muitos técnicos optam por atletas mais jovens e outros preferem atletas mais maduras na equipe. O que precisa ser feito sempre é um trabalho muito bom na base, dando condições para as meninas chegarem até a equipe adulta. Mas depende do estilo de cada técnico do adulto e passaram muitos técnicos por lá durante esses anos. 

 

 

Seleção e Copa América

 

EE: Você assumiu a seleção sub-16 e foi para a Copa América com o objetivo de classificar a equipe para o Campeonato Mundial do ano que vem. Conseguiu mais do que isso. Além da vaga, a equipe obteve uma vitória histórica contra os Estados Unidos na semifinal e acabou com medalha de prata. O que você tem a dizer sobre esse momento?

olho4_200_01AS: Nós tivemos duas perdas por lesões no processo de seletiva. Foi um momento bem difícil. As duas, inclusive, foram no mesmo dia, no mesmo treino: a Brenda, do Rio de Janeiro, e a Rafaela, de Santo André. As duas meninas significavam perdas importantes para a equipe. Então, naquele dia demos uma balançada e falei: “Agora cada uma vai ter que fazer um pouquinho a mais”. A nossa meta principal era a classificação para o Mundial do ano que vem e desde o início trabalhei isso com as meninas. Se nós vencêssemos a Venezuela no primeiro dia e Cuba, no segundo, nós estaríamos classificadas e iríamos para a briga com as outras equipes ditas favoritas. A partir dessas duas vitórias, nós já tínhamos certa tranquilidade de ter o Mundial assegurado para o ano que vem. Então, fomos disputar a medalha. No dia seguinte da vitória contra Cuba, nós jogamos contra o Canadá e fizemos uma partida ruim. Mas esse jogo foi um marco importante para a equipe. Eu me lembro de ter dito para elas que era a primeira derrota daquele grupo em dois anos. Vencemos o Sul-Americano (2014) de forma invicta e enfrentamos a primeira derrota na Copa América. Naquela noite, falei para elas que ninguém vive só de vitórias. A gente tinha que saber o que fazer com aquela derrota. Falei: “O que nós vamos fazer? Vamos abaixar a cabeça ou partir para cima dos Estados Unidos?” As americanas tinham um grupo muito competente, com vantagem de altura sobre a nossa equipe. 

Eu estive por quatro meses nos Estados Unidos, entre o final do ano passado e o início desse ano, e acompanhei de perto o esquema deles, a quantidade de meninas que jogam basquete lá. Eu sabia o tamanho do desafio, mas sabia que se a gente fizesse um bom jogo, tinha condição de vencer. E nós fizemos uma partida excelente, principalmente no primeiro tempo, quando chegamos a colocar uma vantagem de 22 pontos, e conseguimos fechar o jogo com vitória. Infelizmente, no último dia (final contra o Canadá), nós falhamos muito no fundamento de rebote e perdemos a partida por um ponto na prorrogação. Acredito que o resultado foi excelente para o grupo, para a confiança das meninas. Acho que cada uma voltou de lá com o sentimento de trabalhar um pouco mais, um pouco melhor, para buscar, quem sabe, no ano que vem, um resultado tão positivo quanto esse.

 

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Anne Sabatini no comando da seleção de base

 

 

EE: O que dá para esperar dessa equipe no Mundial do ano que vem?

AS: Nós temos boas jogadoras para cada posição. Acredito que vamos contar com o grupo completo no ano que vem. Neste ano, nós tivemos três meninas da mesma posição que se machucaram. As duas que falei no período de seletiva, e mais uma no primeiro jogo da Copa América. Acredito que vamos poder representar muito bem o país, mas vai depender também da qualidade da nossa preparação para o torneio.

 

Uma futura estrela

 

EE: Durante a Copa América apareceu o talento da ala/armadora Izabela Nicoletti, já apontada por muitos, aos 16 anos, como a principal jóia do basquete feminino brasileiro. Ela brilhou no jogo contra os EUA, anotando 24 pontos, e na final contra o Canadá, fazendo 32. E foi você que deu a primeira oportunidade para a Izabela começar a jogar basquete, quando ela estava com apenas cinco anos. Pode contar como foi essa história?

AS: A irmã da Iza, a Mariane, que é quatro anos mais velha, foi fazer a escolinha de basquete no projeto de Americana. Então, a Iza ia para lá junto e, um dia, a mãe me perguntou se ela podia começar a fazer escolinha também. Como estava com cinco anos, disse que não tínhamos intenção de pegar meninas tão novas, que o padrão do projeto era entre sete a doze anos e não podia fugir muito disso. A mãe falou que ela queria muito e pedi para esperar um pouco, mais um ou dois anos, para começar. Mas eu passei a perceber que ela trazia uma bola. Todos os exercícios que eu dava na quadra para as meninas que faziam escolinha, ela repetia na arquibancada. Então, abrimos uma exceção e ela começou. Na época, as aulas eram duas vezes por semana e o meu combinado foi que ela viria um dia só, mas no outro não faria nada na arquibancada. E ela acabava nem vindo no outro dia. A mãe a deixava com a avó, porque se ela viesse não ia conseguir se segurar. 

Nesses anos todos, a Izabela se destacou muito pela determinação. Não é só o talento e a força física que ela tem. É uma menina que desde muito cedo já sabe que quer ser jogadora de basquete. Abre mão de muitas coisas no dia-a-dia em virtude disso. Hoje ela está sofrendo um assédio absurdo em muitas situações. As melhores universidades dos Estados Unidos, todas de primeira divisão, já entraram em contato para acompanhá-la. Até o ano passado, por ela ser do primeiro ano de colegial, que eles chamam de High School, não podia nem ser contactada por eles pessoalmente. O contato tinha que ser com o técnico. Por isso que eles vinham falar comigo ou com outro técnico. 

 

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A grande esperança do basquete feminino: Izabela Nicoletti (Foto: CBB)

 

 

EE: O que você espera dela no futuro?

AS: É uma menina que se der continuidade ao trabalho que vem fazendo, com certeza vai se tornar uma grande jogadora. Não sei se a melhor jogadora, mas acredito que vai chegar muito longe, principalmente pela determinação que tem. O fato de ter ido para os Estados Unidos, no fim do ano passado, foi uma situação bem difícil para ela, que é bem apegada à família. 

EE: Ela foi sozinha para lá?

AS: Não. Eu acabei indo com várias meninas para lá. Nós fizemos um projeto de levar umas meninas para jogar no High School e deu muito certo. E a Izabela já está com muitas propostas de universidades da primeira divisão.

olho5_200_01EE: O que você achou da convocação dela para a seleção adulta, que disputou a Copa América no Canadá? É bom já ter esse contato com as jogadoras adultas?

AS: Acredito que ela vai ter um ganho muito grande com isso. Seja na parte técnica, na tática, ou na física. Mas penso que ela ainda tem que ter como prioridade provar as coisas na sua categoria. Ano que vem tem Mundial para a idade dela, esse ano ainda tem seleção sub-17, que é uma idade acima. Acho que ela tem condição de ajudar mais as equipes que são próximas da idade dela. Mas é muito legal da parte do Zanon [técnico da seleção principal] poder dar esse espaço para ela, essa oportunidade de amadurecimento. Mesmo não jogando muito tempo, vivenciar as coisas de perto já contribui para amadurecer bastante. 

 

O basquete feminino hoje

 

EE: O momento atual do basquete feminino brasileiro é difícil. Depois de anos no topo, com a geração de Paula, Hortência, Janeth, Helen, o desempenho da seleção tem caído muito nas últimas grandes competições. Como você avalia a fase do basquete feminino no país e o que precisa ser feito para reerguer a modalidade?

olho6_200_01AS: Primeiro de tudo, quando se fala em uma geração, principalmente de Paula, Hortência e Janeth, há um tripé muito forte de talento, vontade de jogar e foco no trabalho. Se você não consegue juntar rapidamente meninas tão focadas e com tanto talento, dificulta o resultado. Mas acredito que o Brasil tem condição de ser bem-sucedido em qualquer modalidade. É uma pena que a Olimpíada e outros grandes eventos esportivos não tenham sido fortes o suficiente para o Brasil ter uma organização melhor no esporte, começando lá na escola, até o alto rendimento. Falando especificamente do basquete agora, a massificação faz com que o resultado aconteça mais facilmente. Como nós estávamos falando de Americana, tínhamos uma quantidade muito grande de meninas na escolinha e da quantidade você tira qualidade. Eu tenho acompanhado os Campeonatos Brasileiros de Base nos últimos anos e é legal ver todos os estados trabalhando. Mas tenho certeza que o Brasil seria muito melhor, muito próximo dos grandes competidores, se houvesse uma organização de cima para baixo em cada uma das modalidades. O povo brasileiro olho7_200_02tem muito talento, tem uma condição muito boa para o esporte.

EE: Por conta dos últimos resultados, é difícil imaginar que a seleção feminina pode fazer bonito nos Jogos do Rio. Com os reforços das jogadoras da WNBA, Érika, Damiris e Clarissa, você acredita que a equipe poderá ter uma boa participação na Olimpíada? 

AS: No papel, acho que talvez a equipe não tenha condições, hoje, de falar em briga por medalha. Mas creio que a comissão técnica tem feito um trabalho de dar oportunidade para essas meninas mais novas e que, talvez, a equipe consiga se apresentar bem na Olimpíada. Quem sabe, ficar entre os cinco melhores. Hoje, no papel, como eu disse, não é uma coisa tão clara assim. Mas penso que jogando em casa, com a união das meninas, podemos chegar a um resultado positivo.

 

Da base ao adulto

 

EE: A seleção que você dirigiu na Copa América Sub-16, com meninas talentosas como a Izabela Nicoletti e a Clarissa Carneiro, deu esperança de um bom futuro para o basquete feminino do país. Você acredita que elas vão conseguir uma boa transição da base para o adulto, mesmo com todas as dificuldades que a modalidade enfrenta?

olho10_200AS: Vamos pegar o exemplo da Clarissa. Ela é de uma cidade onde o basquete vem crescendo ano a ano [Presidente Venceslau-SP]. Isso vai facilitar bastante sua entrada no adulto rapidamente. Acho que nesse ano mesmo, talvez, ela já faça alguma participação dentro da Liga Nacional, na equipe adulta de Presidente Venceslau. Varia muito de menina para menina se vai conseguir ou não esse espaço e essa condição rapidamente. É uma pena que no basquete feminino, por não ser tão produtivo financeiramente e não conciliar com o estudo, muitas meninas se percam pelo caminho. Isso é uma realidade no basquete feminino. Eu acredito que a própria ida da Izabela para a seleção adulta seja uma ideia do Zanon para dar cada vez mais espaço a esses grandes talentos. 

EE: Quando se fala do basquete masculino no Brasil, há certo consenso de que a criação do NBB trouxe alguns avanços. A respeito da LBF (Liga de Basquete Feminino), que agora vai para a sexta temporada, dá para falar a mesma coisa?

AS: Acredito que a LBF trouxe coisas positivas, sim. Vemos uma cidade como Americana, que acabou tendo a perda do projeto, mas anunciou agora uma parceria com o Corinthians. Então, acredito que a Liga dá um retorno interessante para os patrocinadores. É claro que poderia ser muito melhor se o retorno fosse ainda maior, se os jogos fossem transmitidos na TV aberta, e se os dirigentes (estaduais, regionais, ou até mesmo a nível nacional) estivessem mais atentos ao feminino.

olho12_200_01EE: Você acha que a Confederação Brasileira de Basketball (CBB) tem focado muito no masculino nos últimos anos e deixado o feminino um pouco de lado?

AS: Não posso falar isso senão estou desempregada (risos). Não diria só a parte da Confederação. Eu não sei se estou errada se disser que existe um preconceito com o feminino. Acho que o basquete masculino tem o espaço dele, é importante, tem pessoas competentes. Com certeza o NBB é uma tirada fantástica. Mas o feminino também tem a sua qualidade e precisa de pessoas tão competentes quanto o masculino para poder fazer vingar. 

EE: É inevitável, com o belo trabalho que você tem feito na base, pensar no seu nome para dirigir equipes adultas no futuro, até mesmo a seleção principal. Você almeja isso ou o trabalho na formação é o que te satisfaz?

AS: Eu gostaria de continuar na base por muito tempo. É lógico que o que gostamos e o que temos de fazer nem sempre coincide. Eu tenho uma paixão muito grande pela base. Hoje, realizo um trabalho com o sub-15 na cidade de Santa Bárbara e faço da mesma maneira como se estivesse em um trabalho numa equipe adulta. Penso que poderia, daqui a um tempo, servir como assistente em uma seleção mais velha, sub-19, por exemplo, ou em uma equipe adulta de clube. Mas não me vejo muito como técnica de adulto. Cada um tem o seu perfil e eu fico muito realizada em procurar passar o melhor para as meninas. 

EE: Sobre doping no esporte: você chega a abordar esse tema com as suas alunas e atletas?

AS: Para escolinha e para categorias menores isso é bem distante. Na seleção, tomamos muito cuidado com o doping que a menina faria de bobeira, no sentido de tomar algum medicamento que não pode, qualquer substância que às vezes acha que não tem nada a ver, mas pode acusar no exame. Mas acho que na categoria de base, principalmente no feminino, é uma coisa bem tranquila. 

EE: Para você, o esporte é essencial?

AS: Para mim o esporte está na veia! Eu tenho muitas bênçãos na minha vida, minha família é uma delas, mas viver rodeada pelo basquete me faz muito bem. Outro dia estava dando treino para o meu grupo sub-15, em Santa Bárbara, e eu sempre faço uma pausa para que elas possam comer uma fruta. De repente, fiquei ali olhando as meninas comendo, conversando, e pensei comigo mesma o quanto eu sou apaixonada por elas. Então, com certeza, o esporte é essencial.

Fotos: Arquivo pessoal de Anne Sabatini


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