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César Cielo (Natação)

12/04/2011
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Respirando esporte 24 horas por dia

Por Fabiana Bentes

“A natação é minha vida... Sempre acho que ainda tenho muito a melhorar, que não atingi meu limite. Estou em evolução constante e meus resultados provam isso. Então, não vejo as coisas do ponto de vista do impossível. Na minha opinião, sempre será possível quebrar um recorde mundial. A natação evolui e os atletas também evoluem.


Campeão olímpico da natação nos 50 metros livres dos Jogos de Pequim e campeão mundial da mesma modalidade, em Roma, em 2009, o paulista Cesar Cielo brinca que “respira” esporte 24 horas por dia e promete ampliar sua coleção de medalhas. 

Só dos Jogos Panamericanos realizados no Rio de Janeiro ele arrebatou três de ouro e uma de prata. Do Grand Prix de Missouri, Estados Unidos, em 2008, onde disputou nos 50 e 100 metros livres, Cielo trouxe outra de ouro. 

Os próximos desafios do nadador são os Jogos Pan-Americanos de Guadalajara, no México e o Mundial de Xangai ainda este ano. Para que mais este objetivo seja alcançado com louvor Cesar Cielo treina, diariamente, no Clube de Regatas do  Flamento desde o início do ano passado. Confiante que poderá ampliar sua coleção de troféus, Cielo se prepara com afinco para fazer bonito nos Jogos  de Londres, em 2012 e nos Jogos do Rio de Janeiro em 2016.   

 

Memória Olímpica:  Quais são os fatores que determinam o sucesso do atleta na natação?

César Cielo:  A técnica e preparação física se complementam. Não adianta ter a melhor técnica do mundo e, na prova, sentir que está carregando um piano nas costas, morrer antes de bater na borda da piscina. Mas competitividade não é só isso. Envolve planejamento da temporada, treinamento adequado, nutrição, descanso e força mental também. A natação é minha vida. Respiro esporte 24 horas por dia.

MO: Como o Rio de Janeiro pode se beneficiar dos Jogos de 2016 ?

CC: Como atleta, penso no legado olímpico que vamos poder usar. Espero que tenhamos instalações esportivas de bom nível, que fiquem para uso dos atletas brasileiros. Também vou ter muito orgulho de disputar uma Olimpíada no meu país. Acho que posso competir até 2016, né?

MO: Quais são seus principais desafios até 2016 ?

CC: A temporada de 2011 será longa e a prioridade é clara: defender meus títulos nos 50 metros livre e nos 100 metros livre no Mundial de Xangai. Quero brigar pelo ouro nas duas provas. O Mundial vai ser em julho, o Pan, em outubro. Acho que, depois do Mundial, o maior desafio será a motivação. É difícil pensar em bons tempos no Pan. Em Guadalajara, a meta será ganhar o maior número possível de medalhas para o Brasil. Vão ser muitos meses de treinos e preparação, sem férias, até a Olimpíada de Londres, em 2012, na qual também quero defender meu título nos 50 metros e ir de novo ao pódio nos 100 metros. Já a Olimpíada de 2016, no Rio, ainda está muito distante. Vamos primeiro competir bem em Londres. Não sei se vou parar com 26 ou 32 anos, mas não me vejo parando antes de 2016.

MO:  O que pesou na decisão de se transferir para o Flamengo?

CC: Eu recebi vários convites, inclusive o da Patrícia Amorim, presidente do Flamengo. A Patrícia é ex-nadadora, falamos a mesma língua. E também fiquei atraído pela chance de poder contribuir para a natação do Flamengo, que sempre teve muita tradição. Quero também ganhar muitas medalhas para o clube.

MO: O que levou você a concentrar seus treinos no Brasil?

CC: Decidi ficar treinando no Brasil, com o Alberto Silva. Em algumas competições, em 2010, senti que faltava alguma coisa. Aí, treinei aqui, com o Albertinho, para o Mundial de Dubai, no fim de 2010, e ele me deu confiança para nadar mais rápido. Consegui boas coisas em Dubai. E daí veio a ideia de montar um grupo de excelência, capaz de conquistar medalhas para o Brasil em competições internacionais. O grupo tem sete nadadores, mais o Albertinho (técnico), o Felipe Domingues (assistente-técnico), o Gustavo Magliocca (médico), o Luciano D’Elia (preparador físico) e o Paulo César Marinho (biomecânica e estatística). O critério foi eu me sentir bem e trabalhando com uma comissão técnica competente.

MO: Seguir quebrando recordes mundiais é possível? 

CC: Só posso falar por mim. Sempre acho que ainda tenho muito a melhorar, que não atingi meu limite. Estou em evolução constante e meus resultados provam isso. Então, não vejo as coisas desse ponto de vista do impossível. Na minha opinião, sempre será possível quebrar um recorde mundial. A natação evolui – nos blocos, nas piscinas - e os atletas também evoluem.

MO:  Você já pensou em parar de nadar?

CC: Pretendo competir até enjoar da natação, dos treinos, de horários rígidos, da preparação. Ou até me olhar no espelho e falar: “agora eu sou o cara, me sinto excepcional.” Não me vejo parando antes de 2016, mas nunca vou me aposentar da natação, vou ficar preso a ela para sempre. Se não for competindo, será cuidando do meu projeto social ou do grupo de elite para continuar na luta por medalhas para o Brasil.

MO: Quais os atletas mais importantes da natação ?

CC: Além de mim? (risos) Nas provas de velocidade, franceses e australianos. E aqueles que estão no topo do ranking.

MO: Quais são os nomes dos nadadores que ainda vamos escutar, e muito? 

CC: A natação brasileira está muito bem encaminhada. Felipe França, Kaio Márcio, Thiago Pereira, Tales Cerdeira, Henrique Rodrigues, Leonardo de Deus, Andrés Schultz, Vinícius Waked... São vários os nomes. O estilo borboleta está em uma fase muito boa e o Leonardo de Deus está conseguindo bons resultados. O peito, que nunca teve grande destaque, conseguiu seu espaço com o Felipe França e o Henrique Barbosa. No estilo livre, acho que eu e o Nicholas Santos ainda seremos os nomes por algum tempo. Espero que surjam novos nomes, que a gente se ajude e divida a responsabilidade. O bronze, com o revezamento 4x100 metros livre (com Nicholas Santos, Cesar Cielo, Marcelo Chierighini e Nicolas Oliveira), saiu no Mundial de Dubai em Piscina Curta. Acho que França e Rússia estão fora do alcance, mas ainda gostaria de nadar uma final olímpica com o revezamento brasileiro, ao lado dos meus companheiros.

MO: Como você avalia o problema do doping no esporte e que mensagem poderia dirigir a jovens atletas?

CC: Que o esporte seja o mais limpo possível e que ninguém queira ganhar de forma ilícita. Para acabar com a carreira de um atleta, basta um pequeno erro. Eu sempre tive muito cuidado com o que eu tomo. O controle é sempre necessário e é preciso intensificar o antidoping. As drogas evoluem e ficam cada vez mais difíceis de serem detectadas.

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